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A investigação, apresentada no Primeiro Seminário Nacional Sobre a Homossexualidade em Moçambique, organizado pela LDH, refere também que 96 por cento dos inquiridos conhece pelo menos um homossexual, 80 por cento tem um amigo homossexual e 72 por cento considera esta tendência uma opção pessoal.
O estudo, cuja primeira resposta está condicionada pela pergunta `Você podia ser homossexual?´, envolveu 700 pessoas de ambos os sexos, mas com uma maioria de mulheres, com idades entre os 18 e os 56 anos, incluindo estudantes do ensino superior, pré-universitários, funcionários públicos, reclusos e simples trabalhadores, das cidades de Maputo, Beira, Nampula e Quelimane.
A avaliação indica também que 16 por cento dos inquiridos considera o vínculo amoroso entre pessoas do mesmo sexo uma doença, 52 por cento receia que a família não vá aceitar um dos seus membros como homossexual, enquanto 40 por cento acredita que a família toleraria essa orientação sexual.
O inquérito demonstra ainda que `as mulheres moçambicanas são mais receptivas ao tema da homossexualidade, verificando-se o oposto em relação aos homens, que se manifestam pouco abertos ao assunto´. Por outro lado, as pessoas com idades entre os 18-36 anos revelam-se mais favoráveis a essa prática, enquanto os inquiridos entre os 35 e 56 mostram-se mais agressivos no repúdio ao fenómeno.
`A reacção dos jovens inquiridos, dos 18 aos 36 anos, mostra que daqui a 20 anos, a população moçambicana vai encarar a homossexualidade como uma prática comum na sua vida´, sublinhou Custódio Duma, jurista da LDH, que apresentou o inquérito no seminário em que participaram homossexuais de Moçambique, África do Sul, Brasil, Namíbia, Tanzânia e Zimbabué. .
Duma referiu que as leis moçambicanas não criminalizam a homossexualidade, mas a lei da família considera inexistente o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
O jurista afirmou que a LDH pretende `a tutela jurídica de vínculos entre pessoas do mesmo sexo, bem como o reconhecimento do direito a constituir família, incluindo a adopção´. `Se estas pessoas não cometeram crime nenhum, contribuem para o desenvolvimento social e económico do país, é legítimo que sejam legalmente protegidas´, enfatizou Custódio Duma.
Danilo da Silva, um homossexual moçambicano que apresentou no encontro uma comunicação sobre `Realidades da Homossexualidade no País´ apontou que `o número de homossexuais vai crescendo em Moçambique, apesar de muito poucos homossexuais viverem abertamente a sua orientação´.
A ausência no seminário de figuras de destaque do governo, Assembleia da República e aparelho judicial, apesar de terem sido convidados, demonstra que o tímido movimento `gay´ moçambicano terá ainda muito que aguardar para ver os seus direitos, no mínimo discutidos, nas principais instâncias do Estado moçambicano... |