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De acordo com Canalmoz, Alberto Santana, coordenador-geral dos projectos da Embrapa, afirmou ao jornal brasileiro Valor Económico que os projectos permitem usar África como `campo experimental´ e `fonte de biodiversidade´ para melhorar a agricultura brasileira, mas este envolvimento vem também reforçar a sua imagem de referência internacional na pesquisa agronómica tropical e mesmo aprofundar as relações de cooperação `Sul-Sul´ defendidas pelo governo brasileiro.
Moçambique, onde a China também tem em curso importantes investimentos em tecnologia agrícola, irá ter nos próximos meses um escritório da Embrapa, responsável por coordenar um projecto de 10,7 milhões de dólares para revigorar as instituições locais de pesquisa, adaptar sementes ao solo e clima da região, conservar recursos naturais e treinar cientistas locais.
Com o apoio a agência norte-americana de desenvolvimento USAID, prevê-se em três anos apoiar 3,5 milhões de produtores familiares, consolidando o programa de garantia da segurança alimentar moçambicana em milho, feijão, arroz e mandioca. Os planos foram elaborados por 20 investigadores brasileiros, e a sua aplicação está marcada para Junho de 2010.
Moçambique é hoje altamente dependente da importação de produtos agrícolas, tendo um potencial de produção de nada menos que 39 milhões de hectares, segundo a Embrapa.
Também a produção pecuária será alvo de apoio brasileiro, prevendo-se que em 2011 seja introduzida a genética bovina brasileira no gado moçambicano.
Paralelamente, e em parceria com a agência de cooperação japonesa JICA, a Embrapa vai adaptar plantas de soja e milho às savanas de Moçambique, no chamado `Corredor de Nacala´.
Com uma duração de dez anos e um investimento de 500 milhões de dólares, o projecto prevê a implantação de três bases científicas (Nampula, Chimoio e Mutuali) e a plantação de cerca de três milhões de hectares de soja. |